A norma está mais técnica, prevendo diversos ensaios antes não contemplados e trazendo uma novidade interessante: uma nova categoria de conduletes, conhecida como “condulete americano”
* Por Roberto Aimi

Já está disponível no mercado a mais recente revisão da norma ABNT NBR 15701 – Conduletes Metálicos Roscados e Não Roscados para Sistemas de Eletrodutos. Agora mais técnica, a revisão prevê diversos ensaios antes não contemplados e traz uma novidade interessante: uma nova categoria de conduletes, conhecida como “condulete americano”.

Os conduletes de categoria VI, como são chamados, foram introduzidos nesta revisão com o objetivo de oficializar para o consumidor uma alternativa de conduletes já existente no mercado brasileiro. A inclusão foi realizada também, por conta da solicitação de um grande usuário que, não por acaso, é imenso conhecedor do processo de normalização no Brasil.

Extremamente difundidos na América do Norte e nos principais mercados da América Latina, mas pouco comercializados por aqui, estes conduletes têm um formato diferenciado e inovador para o mercado brasileiro. O principal diferencial está em sua robustez: em ensaios realizados nestes produtos durante os trabalhos de revisão da NBR 15701:2016, tais conduletes resistiram de 50% a 150% mais carga do que os conduletes mais resistentes contemplados na norma até então (categorias IV e V). Como exemplo, observe-se a resistência dos conduletes da categoria VI na dimensão 2”. Enquanto as categorias IV e V neste tamanho, em ensaio de resistência a flexão, devem suportar uma força equivalente a 450kg, o condulete “americano” (categoria VI) resiste a incríveis 1200kg. Sendo assim, este produto deve ser direcionado para locais onde a resistência mecânica é fator fundamental.

Vale ressaltar que para esta categoria não está prevista em norma a possibilidade de inclusão de acessórios como tomadas e interruptores, uma vez que estes conduletes respeitam as normas ANSI/UL 514 A e ANSI/UL 514D (normas americanas), prevendo, portanto, apenas a passagem de cabos pelos mesmos.

Evolução da norma
É evidente que toda norma deve evoluir, atendendo às inovações tecnológicas e sociais. O que não é diferente com a norma ABNT NBR 15701, que desde o seu surgimento, em 2009, vem sofrendo alterações com o intuito de torná-la mais adequada aos seus propósitos. Assim, em 2012, a norma ganhou uma segunda edição e, agora, em 2016, ganha a sua terceira versão.

Desta vez, um importante desafio da comissão formada por fabricantes e consumidores foi retirar do texto da norma a exigência da utilização de uma determinada liga de alumínio. A intenção inicial de balizar a qualidade do produto final mostrou-se, com o passar dos anos, pouco eficaz, uma vez que a exigência impedia a evolução tecnológica dos produtos e engessava o processo produtivo. Podemos tomar como exemplo a ideia de um fabricante de utilizar uma matéria-prima com especificação de qualidade superior ao solicitado em norma, porém não poder colocar em prática tal utilização sob pena de descumprimento da norma.

A solução encontrada foi a inclusão do ensaio de tração em corpo de prova normalizado, que avalia as propriedades mecânicas do material e já é utilizado no mercado de peças para aplicação em redes de transmissão e distribuição de energia elétrica e também no segmento automotivo, entre outros. Este tipo de ensaio garante que as propriedades mecânicas da liga de alumínio sejam verificadas, independentemente da composição química que será utilizada, dando liberdade ao fabricante para utilizar a matéria-prima mais adequada ao seu processo sem reduzir a qualidade do produto. A mudança beneficia também o consumidor, que tem a garantia de receber um produto de alta qualidade, aliada às mais modernas técnicas de fabricação disponíveis no setor produtivo.

Inspiração em outras normas
Esta revisão da ABNT NBR 15701:2016 teve ainda outras decisões importantes. Uma delas foi a definição do grau de proteção IK através da aplicação da norma ABNT NBR IEC 62262, definindo assim a resistência mínima à qual os conduletes devem suportar impacto sem apresentar danos que impeçam seu uso posterior.

Já a norma ABNT NBR IEC 60670 – que trata de caixas em geral, porém não especificamente de conduletes metálicos como a ABNT NBR 15701 – serviu de inspiração para três novos ensaios: o primeiro, aplicado apenas aos conduletes sem rosca, trata da “resistência à invasão do condulete pelo eletroduto”, garantindo que a caixa resista a determinada força de inserção, sem permitir a entrada do eletroduto em seu interior, ou ainda danificar-se durante o acoplamento. O segundo ensaio trata da “resistência do condulete ao esforço de tração com o eletroduto conectado” e garante que a conexão do eletroduto ao condulete (com ou sem rosca) seja preservada até determinada carga especificada. O último ensaio desta série refere-se à “resistência da borda da conexão do condulete à flexão do eletroduto” que, como todos os demais, visa garantir a resistência do condulete a determinado esforço sem que o mesmo seja danificado. A norma prevê que todos os modelos de conduletes devem passar por esta avaliação.

Focada no desempenho do produto sem limitar a criatividade do setor produtivo, esta versão da ABNT NBR 15701 – Conduletes Metálicos Roscados e Não Roscados para Sistemas de Eletrodutos está mais aberta às novas tecnologias do mercado que visam à melhoria contínua. Mas ela certamente não será a última, pois as inovações tecnológicas exigem que as normas sejam constantemente revisadas. E realmente esperamos que assim seja, a fim de aprimorar cada vez mais a normalização dos conduletes metálicos no Brasil.

* Roberto Aimi é engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 1984 é diretor da Tramontina Eletrik, empresa de materiais elétricos da Tramontina, fabricante de conduletes, interruptores, plugues, tomadas, entre outros.

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